sábado, 19 de novembro de 2011

O Dia em Que Não Desceu

 Arriba, arriba, conterrâneos! Eu sempre ouvia o Ligeirinho falar isso mas ainda tenho dúvidas sobre ser um cumprimento de chegada ou partida. Enfim, voltei pela força do absurdo que é este universo para contar não uma história antiga, mas bem recente. Aliás, ocorreu na manhã de hoje 19/11/11. Eis a narrativa.

 Fui dormir às 8 da manhã como de costume, pelo simples fato de não conseguir adormecer à noite. Hypnos parece curtir uma ZUERA e me abandona totalmente quando o sol desaparece. E se eu tento dormir mais cedo para trollá-lo, simplesmente acordo às 3:00 h igual a um zumbi e com tanta energia que posso dançar macarena de cabeça para baixo. Mas já estou divagando. Dizia que fui dormir tarde (ou seria cedo?), mas não por muito tempo. Cerca de 3 horas depois acordei sobressaltado com o meu estômago me espancando de dentro para fora. "Tô com uma vontade foda de vomitar" era o que ele dizia.

 Levantei e me arrastei ao banheiro com a cara encostada no chão, tal era a minha torpor pós-sono. Caso minha mãe avistasse minha grotesca figura, de cabelos para o alto, olheiras enormes e barba por fazer no corredor, sacaria uma 12 de cano cerrado das axilas (mais tarde verão que isso não é nada impossível para ela) e estouraria meus miolos sem pensar duas vezes. E fui eu até o banheiro (que é exatamente do lado do meu quarto) fazendo parecer que estava fazendo o rally Paris-Dakar a pé.

 Avistei o Trono Sagrado e joguei-me de qualquer maneira, fechando a porta logo depois. Recitei os mantras de sempre, som do infinito, invoquei os poderes de Ganesha e me preparei para o alívio divino que estaria por vir.





 E ele não veio.
 Era a coisa mais bizarra que já tinha me acontecido. Eu sempre cortei tão bem o rabo do macaco, sempre fritei bolinhos como deveria, porquê essa dificuldade repentina em borrar a porcelana? Me desesperei. A cada vez que eu fazia minha força, jogando meu chi em movimentos circulares para baixo e empurrando, subsequentemente, a excreta, ouvia um barulho daqueles que fazíamos para imitar flatulências quando éramos pequenos (prrrff) e a vontade desaparecia. Comecei a pensar que ia morrer, explodir e, depois de um breve segundo, meu cérebro troll enviou a seguinte mensagem: "Lembra daquele seu amigo que teve apendicite? Deve doer para caralho, hein?". Estava feita a merda (que irônico), parecia que eu conseguia ver a bosta se espalhando no meio do meu tecido conjuntivo cada vez que aquele som de peido surgia.
 Comecei a pensar em toda a minha vida, no fato de ter que ir para a merda do hospital (eu tenho um poucão de nosocomefobia. Não sabe o que é, google it) e nos meus amigos. Eu sou jovem. Porquê? Pensei até neste texto que agora vos escrevo. Mas me conformei e gritei a matriarca (primeiramente para pedir uma ida ao hospital VERY FUCKIN FAST):
 - Mãe, chega aí.
 - Que foi?
 - Acho que estou fodido... - e expliquei a situação. Eu realmente pensava que o inútil do meu apêndice tinha estourado.
 - Ah, olha só. Fecha os olhos, pensa e faz assim ó...

 O "assim ó" não é só um trecho da música do Molejão como uma técnica ninja milenar de liberação de carmas. Sim. Batizei-a o Fluxo Divino do Gafanhoto Cinza. Consistia em, sentado no trono, colar a palma das mãos às coxas e, com a ponta dos dedos, ritmar leves batidinhas próximas ao joelho. Como vocês estão pensando agora, achei que fosse a idiotice clássica de uma pessoa que já disse que "lipídeos descem com água". Mas, em meio ao desespero, cedi e resolvi tentar. Fechei os olhos, imaginei uma guerra de soldados medievais com escudos de lasers e magos com estandartes amaldiçoando e abençoando a todo mundo. E, DO NADA, meu músculo abdominal começou a ACOMPANHAR AS BATIDAS DA MINHA MÃO. VÉI... NA BOA. Que porra era aquela? Eles foram acompanhando até que eu liberei a toupeira da toca. Incrível e louvável. Repeti a técnica e me senti em um comercial da Activia.
 Saí do banheiro rindo e já imaginando o fim deste post. Fui perguntar à minha mãe onde ela aprendeu aquilo.

 - Ah, foi sua tia que me ensinou. Funciona, não é?

 Eu sabia. Eu sempre soube. Uma mulher que tem o braço destruído por aranhas e não sente dor, conhece matas como ninguém e sabe todos os xaropes naturais que curam tudo, só pode ser uma druida. Sorte a minha e azar o de vocês.

 Adios e, por via das dúvidas, "Arriba, arriba!".