Arriba, arriba, conterrâneos! Eu sempre ouvia o Ligeirinho falar isso mas ainda tenho dúvidas sobre ser um cumprimento de chegada ou partida. Enfim, voltei pela força do absurdo que é este universo para contar não uma história antiga, mas bem recente. Aliás, ocorreu na manhã de hoje 19/11/11. Eis a narrativa.
Fui dormir às 8 da manhã como de costume, pelo simples fato de não conseguir adormecer à noite. Hypnos parece curtir uma ZUERA e me abandona totalmente quando o sol desaparece. E se eu tento dormir mais cedo para trollá-lo, simplesmente acordo às 3:00 h igual a um zumbi e com tanta energia que posso dançar macarena de cabeça para baixo. Mas já estou divagando. Dizia que fui dormir tarde (ou seria cedo?), mas não por muito tempo. Cerca de 3 horas depois acordei sobressaltado com o meu estômago me espancando de dentro para fora. "Tô com uma vontade foda de vomitar" era o que ele dizia.
Levantei e me arrastei ao banheiro com a cara encostada no chão, tal era a minha torpor pós-sono. Caso minha mãe avistasse minha grotesca figura, de cabelos para o alto, olheiras enormes e barba por fazer no corredor, sacaria uma 12 de cano cerrado das axilas (mais tarde verão que isso não é nada impossível para ela) e estouraria meus miolos sem pensar duas vezes. E fui eu até o banheiro (que é exatamente do lado do meu quarto) fazendo parecer que estava fazendo o rally Paris-Dakar a pé.
Avistei o Trono Sagrado e joguei-me de qualquer maneira, fechando a porta logo depois. Recitei os mantras de sempre, som do infinito, invoquei os poderes de Ganesha e me preparei para o alívio divino que estaria por vir.
E ele não veio.
Era a coisa mais bizarra que já tinha me acontecido. Eu sempre cortei tão bem o rabo do macaco, sempre fritei bolinhos como deveria, porquê essa dificuldade repentina em borrar a porcelana? Me desesperei. A cada vez que eu fazia minha força, jogando meu chi em movimentos circulares para baixo e empurrando, subsequentemente, a excreta, ouvia um barulho daqueles que fazíamos para imitar flatulências quando éramos pequenos (prrrff) e a vontade desaparecia. Comecei a pensar que ia morrer, explodir e, depois de um breve segundo, meu cérebro troll enviou a seguinte mensagem: "Lembra daquele seu amigo que teve apendicite? Deve doer para caralho, hein?". Estava feita a merda (que irônico), parecia que eu conseguia ver a bosta se espalhando no meio do meu tecido conjuntivo cada vez que aquele som de peido surgia.
Comecei a pensar em toda a minha vida, no fato de ter que ir para a merda do hospital (eu tenho um poucão de nosocomefobia. Não sabe o que é, google it) e nos meus amigos. Eu sou jovem. Porquê? Pensei até neste texto que agora vos escrevo. Mas me conformei e gritei a matriarca (primeiramente para pedir uma ida ao hospital VERY FUCKIN FAST):
- Mãe, chega aí.
- Que foi?
- Acho que estou fodido... - e expliquei a situação. Eu realmente pensava que o inútil do meu apêndice tinha estourado.
- Ah, olha só. Fecha os olhos, pensa e faz assim ó...
O "assim ó" não é só um trecho da música do Molejão como uma técnica ninja milenar de liberação de carmas. Sim. Batizei-a o Fluxo Divino do Gafanhoto Cinza. Consistia em, sentado no trono, colar a palma das mãos às coxas e, com a ponta dos dedos, ritmar leves batidinhas próximas ao joelho. Como vocês estão pensando agora, achei que fosse a idiotice clássica de uma pessoa que já disse que "lipídeos descem com água". Mas, em meio ao desespero, cedi e resolvi tentar. Fechei os olhos, imaginei uma guerra de soldados medievais com escudos de lasers e magos com estandartes amaldiçoando e abençoando a todo mundo. E, DO NADA, meu músculo abdominal começou a ACOMPANHAR AS BATIDAS DA MINHA MÃO. VÉI... NA BOA. Que porra era aquela? Eles foram acompanhando até que eu liberei a toupeira da toca. Incrível e louvável. Repeti a técnica e me senti em um comercial da Activia.
Saí do banheiro rindo e já imaginando o fim deste post. Fui perguntar à minha mãe onde ela aprendeu aquilo.
- Ah, foi sua tia que me ensinou. Funciona, não é?
Eu sabia. Eu sempre soube. Uma mulher que tem o braço destruído por aranhas e não sente dor, conhece matas como ninguém e sabe todos os xaropes naturais que curam tudo, só pode ser uma druida. Sorte a minha e azar o de vocês.
Adios e, por via das dúvidas, "Arriba, arriba!".
Pedrofelia
O tédio e a preguiça de cometer suicídio.
sábado, 19 de novembro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
A Epopeia de Uma Bitoquinha Marota
A CIDADE DE TOWNSVILLEEEEE.
Brimks, é a velha, pacata, tosca e monótona Maricá de sempre.
Eu era um adolescente juvenil (como já dizia Mestre Awey), infeliz por nunca ter beijado uma boca feminina antes. Um desespero intragável de qualquer menino com seus bons 12 anos. Todos à volta dizendo o quão bom era, o quão incrível era, o quão maneiro era, o quão ~insira adjetivo de sua preferência~ era. E estava eu lá, solitário. Esperando o momento certo para que aquele sagrado ritual começasse e eu me tornasse uma espécie de Johny Bravo maricaense. Ou não.
Com a ânsia bate o desespero. Como fazer esta merda? Enfia a língua e roda? Dá uma chacoalhada? Pede informação? Treina na laranja? Me recusei aos métodos da laranja, do braço e da mão em concha por ter um senso do ridículo bastante apurado à época. Resolvi confiar na Força que todo bom Jedi encontra em si quando não sabe fazer algo e decide se arriscar somente pelo prazer de conseguir e provar que é foda. Ou de fracassar e dizer que é a primeira vez. Então, tudo começou.
Ela era uma menina baixinha, pequena e extremamente delicada. Mas não era aquele delicada irritante do tipo das princesas que os vikings raptam e estupram como se rasgassem um véu de seda com cheirinho de canela. Era um delicado interessante. Não era bonita e nem feia, era ela. Normal e simples, como só mulheres que não são bonitas e nem feias sabem ser. E que fique claro que, se fosse um mastodonte demoníaco chupando limão com cana e assobiando eu diria, pois seu nome não será revelado.
Tinha cabelos negros e a pele morena. Olhos amendoados escuros e a aparência quebradiça das porcelanas (manja, broto?). Eu, naquele momento infeliz, tinha os cabelos penteados forçadamente, com um aspecto BELÍSSIMO de assolan. Vestia sempre a mesma camisa do System of a Down e a calça jeans com um buraco no calcanhar (resultado de pisadas consecutivas e uma irritação por encher a casa de terra toda vez que entrava). Traduzindo: eu não era nem um pouco apresentável. Apesar de tomar banho todos os dias, tinha uma aparência de grunge (não falei que grunge é sujo, pelamor) e isso não é um atrativo para as meninas a não ser que você se assemelhe a um surfista californiano e tenha sobrenome Cobain. Logo, era inimaginável. Achei que permaneceria com meus carnudos lábios (eita) virgens até a minha velhice.
Em um daqueles papos miseráveis de pátio escolar, revelei à moçoila que, em um mal entendido, uma menina de nossa sala (que possuía um odor desagradabilíssimo nas axilas, vulgo cêcê) achou que eu estivesse apaixonado por ela. Isto por meio da beleza de palavras que proferi, palavras estas que repeti à moça que me ouvia contar o causo. Ela, em uma interjeição respiratória digna de princesas, disse:
- Ai, acho que se alguém fala uma coisa dessas para mim, eu gamo.
Amigos, não precisa ser um Newton para saber que isso foi uma cantada (mentira). Começamos a conversar mais assiduamente e mostrei à ela mais alguns textos, os quais ela lia e adjetivava soberbamente. Eu inflava de orgulho e voava mais alto que o padre dos balões, mas, aquele toma-lá-dá-cá incitou em meus amigos próximos a exigência pokémon que todo garoto conhece. "Tem(os) que pegar".
Mas como? Com a boca sem estreia em bitocas, era impossível traçar uma estratégia forte até à menininha. Mas fui como deu, empurrando com a barriga, trocando pés pelas mãos e colocando o carro na frente dos bois. Sobretudo usando trocentas expressões populares que tornam a encheção de linguiça mais branda.
Chamei a donzela para uma conversa no anfiteatro da cidade. Era uma manhã fria de algum dia da semana que meu cérebro fez o favor de esquecer. Eu esperava estalando nós dos dedos, pescoço, vértebras, costelas e qualquer coisa que fizesse um som e apaziguasse a porra do nervosismo. Ela chegou, leve, saltitando como um veado campeiro e juntou-se a mim no topo da edificação. E AÍ AMIGOS...
...não deu em nada. Travei com uma habilidade incrível. Quedê cantadinha marota? Quedê malandragem? Sumiu. Parecia gato de rua. Ela era tão escorregadia que eu achei que não quisesse (bobinho) e acabei adiando uma vez mais a conversa decisiva.
Após a escola, prossegui para a mesma praça onde se localiza o anfiteatro. Palhaçadinhas, gente deixando a gente sozinho, "beija beija" e aquela caralhada de coisas que você menos quer que aconteça. Acabamos (não me lembro e não bebi nada) indo novamente para o anfiteatro. Desta vez, o papo foi mais direto. Ela escorregava e eu tentava segurar (caso fosse um banheiro de penitenciária, seria algo infeliz), ela fugia e eu corria atrás. Até que, em uma falha miserável que deu certo, disse para que ela me respondesse amanhã. E saí triunfante (e idiota) indo em direção à rodoviária.
Dia seguinte, tremendo como vara verde (varas de outras cores não tremem, aprendam), novamente houve uma conversa no anfiteatro. Novamente nada de atitude. Comecei a achar que fazer as coisas de manhã não era o correto, ou Deus me sacaneava como nunca. Desci o anfiteatro e um irmão de um primo meu proferiu a frase que feriu o ego do jovem guerreiro:
- Ih, não teve nada? Tá fraco, hein.
Senti Odin segurar minha mão e ouvi sua voz incitar o ódio. Sorri um sorriso amarelo e fui para a escola, sentindo a chama da vitória iminente explodir meu peito. Fiz uma prova e fui convidado por alguns amigos a ir até uma lan house (em voga na época) para fazer sabe-se lá o quê. Fui. Ela estava junto, obviamente. No grupo havia um casal arranjado por mim. Thayane e Paulista. Eu havia dito à ela que ele queria dar uns pegas e acabaram namorando. Paulista, percebendo minha inquietação e demora, articulou um plano digno de Napoleão que não deu espaço para fugas.
Ao acabar o tempo de todos na lan house, descemos por uma escada. Eu era o penúltimo e a menina, a última. Ao tentar cruzar o portal de saída, fomos interrompidos por Paulista com uma célebre frase:
- Ah não, cara. Agora vai.
E saiu. Eu andava sempre com fones de ouvido, mas sempre mesmo. Estava com eles naquele momento e Tentative do SOAD retumbava, ensurdecedora. Olhei em seus olhos e, como bom adolescente demente, disse:
- E agora?
Ela teve a bondade de responder:
- Ué, vai ficar aí parado olhando para mim?
Não, não fiquei. Em câmera lenta, com um ar de Casanova e destruindo tudo, eu fui. Serj Tankian berrando no meu ouvido e eu consegui. A beijei. Como imaginei, aquela porra de laranja ou treino com a mão não adiantaria. A Força esteve comigo. Uma lascada de dente aqui e outro erro ali, mas nada que interrompesse a glória do triunfo. Saí com o peito mais estufado que um pombo com Doença de Chagas. Paulista olhou, sorrindo maliciosamente, e disse:
- Foi, né?
Balancei a cabeça rápida e afirmativamente. Ele comemorou. Dobrei a esquina e dei tchau. Cocei o saco, cuspi no chão e andei como um homem. Não teria mais problemas assim. Não desse tipo. Era outro nível, manolo.
Mais tarde, na rodoviária, encontrei o irmão do meu primo. Ele me cumprimentou, sarcástico. Com toda a glória que Odin proporcionou, olhei para ele e proferi a vingança verbal:
- Lembra daquela parada, cara? Pois é. Lembre-se que um dia tem 24 horas.
Com esse desfecho à la Jack Bauer eu peguei meu ônibus. E fui feliz por uma semana.
Beijo do magro.
Brimks, é a velha, pacata, tosca e monótona Maricá de sempre.
Eu era um adolescente juvenil (como já dizia Mestre Awey), infeliz por nunca ter beijado uma boca feminina antes. Um desespero intragável de qualquer menino com seus bons 12 anos. Todos à volta dizendo o quão bom era, o quão incrível era, o quão maneiro era, o quão ~insira adjetivo de sua preferência~ era. E estava eu lá, solitário. Esperando o momento certo para que aquele sagrado ritual começasse e eu me tornasse uma espécie de Johny Bravo maricaense. Ou não.
Com a ânsia bate o desespero. Como fazer esta merda? Enfia a língua e roda? Dá uma chacoalhada? Pede informação? Treina na laranja? Me recusei aos métodos da laranja, do braço e da mão em concha por ter um senso do ridículo bastante apurado à época. Resolvi confiar na Força que todo bom Jedi encontra em si quando não sabe fazer algo e decide se arriscar somente pelo prazer de conseguir e provar que é foda. Ou de fracassar e dizer que é a primeira vez. Então, tudo começou.
Ela era uma menina baixinha, pequena e extremamente delicada. Mas não era aquele delicada irritante do tipo das princesas que os vikings raptam e estupram como se rasgassem um véu de seda com cheirinho de canela. Era um delicado interessante. Não era bonita e nem feia, era ela. Normal e simples, como só mulheres que não são bonitas e nem feias sabem ser. E que fique claro que, se fosse um mastodonte demoníaco chupando limão com cana e assobiando eu diria, pois seu nome não será revelado.
Tinha cabelos negros e a pele morena. Olhos amendoados escuros e a aparência quebradiça das porcelanas (manja, broto?). Eu, naquele momento infeliz, tinha os cabelos penteados forçadamente, com um aspecto BELÍSSIMO de assolan. Vestia sempre a mesma camisa do System of a Down e a calça jeans com um buraco no calcanhar (resultado de pisadas consecutivas e uma irritação por encher a casa de terra toda vez que entrava). Traduzindo: eu não era nem um pouco apresentável. Apesar de tomar banho todos os dias, tinha uma aparência de grunge (não falei que grunge é sujo, pelamor) e isso não é um atrativo para as meninas a não ser que você se assemelhe a um surfista californiano e tenha sobrenome Cobain. Logo, era inimaginável. Achei que permaneceria com meus carnudos lábios (eita) virgens até a minha velhice.
Em um daqueles papos miseráveis de pátio escolar, revelei à moçoila que, em um mal entendido, uma menina de nossa sala (que possuía um odor desagradabilíssimo nas axilas, vulgo cêcê) achou que eu estivesse apaixonado por ela. Isto por meio da beleza de palavras que proferi, palavras estas que repeti à moça que me ouvia contar o causo. Ela, em uma interjeição respiratória digna de princesas, disse:
- Ai, acho que se alguém fala uma coisa dessas para mim, eu gamo.
Amigos, não precisa ser um Newton para saber que isso foi uma cantada (mentira). Começamos a conversar mais assiduamente e mostrei à ela mais alguns textos, os quais ela lia e adjetivava soberbamente. Eu inflava de orgulho e voava mais alto que o padre dos balões, mas, aquele toma-lá-dá-cá incitou em meus amigos próximos a exigência pokémon que todo garoto conhece. "Tem(os) que pegar".
Mas como? Com a boca sem estreia em bitocas, era impossível traçar uma estratégia forte até à menininha. Mas fui como deu, empurrando com a barriga, trocando pés pelas mãos e colocando o carro na frente dos bois. Sobretudo usando trocentas expressões populares que tornam a encheção de linguiça mais branda.
Chamei a donzela para uma conversa no anfiteatro da cidade. Era uma manhã fria de algum dia da semana que meu cérebro fez o favor de esquecer. Eu esperava estalando nós dos dedos, pescoço, vértebras, costelas e qualquer coisa que fizesse um som e apaziguasse a porra do nervosismo. Ela chegou, leve, saltitando como um veado campeiro e juntou-se a mim no topo da edificação. E AÍ AMIGOS...
...não deu em nada. Travei com uma habilidade incrível. Quedê cantadinha marota? Quedê malandragem? Sumiu. Parecia gato de rua. Ela era tão escorregadia que eu achei que não quisesse (bobinho) e acabei adiando uma vez mais a conversa decisiva.
Após a escola, prossegui para a mesma praça onde se localiza o anfiteatro. Palhaçadinhas, gente deixando a gente sozinho, "beija beija" e aquela caralhada de coisas que você menos quer que aconteça. Acabamos (não me lembro e não bebi nada) indo novamente para o anfiteatro. Desta vez, o papo foi mais direto. Ela escorregava e eu tentava segurar (caso fosse um banheiro de penitenciária, seria algo infeliz), ela fugia e eu corria atrás. Até que, em uma falha miserável que deu certo, disse para que ela me respondesse amanhã. E saí triunfante (e idiota) indo em direção à rodoviária.
Dia seguinte, tremendo como vara verde (varas de outras cores não tremem, aprendam), novamente houve uma conversa no anfiteatro. Novamente nada de atitude. Comecei a achar que fazer as coisas de manhã não era o correto, ou Deus me sacaneava como nunca. Desci o anfiteatro e um irmão de um primo meu proferiu a frase que feriu o ego do jovem guerreiro:
- Ih, não teve nada? Tá fraco, hein.
Senti Odin segurar minha mão e ouvi sua voz incitar o ódio. Sorri um sorriso amarelo e fui para a escola, sentindo a chama da vitória iminente explodir meu peito. Fiz uma prova e fui convidado por alguns amigos a ir até uma lan house (em voga na época) para fazer sabe-se lá o quê. Fui. Ela estava junto, obviamente. No grupo havia um casal arranjado por mim. Thayane e Paulista. Eu havia dito à ela que ele queria dar uns pegas e acabaram namorando. Paulista, percebendo minha inquietação e demora, articulou um plano digno de Napoleão que não deu espaço para fugas.
Ao acabar o tempo de todos na lan house, descemos por uma escada. Eu era o penúltimo e a menina, a última. Ao tentar cruzar o portal de saída, fomos interrompidos por Paulista com uma célebre frase:
- Ah não, cara. Agora vai.
E saiu. Eu andava sempre com fones de ouvido, mas sempre mesmo. Estava com eles naquele momento e Tentative do SOAD retumbava, ensurdecedora. Olhei em seus olhos e, como bom adolescente demente, disse:
- E agora?
Ela teve a bondade de responder:
- Ué, vai ficar aí parado olhando para mim?
Não, não fiquei. Em câmera lenta, com um ar de Casanova e destruindo tudo, eu fui. Serj Tankian berrando no meu ouvido e eu consegui. A beijei. Como imaginei, aquela porra de laranja ou treino com a mão não adiantaria. A Força esteve comigo. Uma lascada de dente aqui e outro erro ali, mas nada que interrompesse a glória do triunfo. Saí com o peito mais estufado que um pombo com Doença de Chagas. Paulista olhou, sorrindo maliciosamente, e disse:
- Foi, né?
Balancei a cabeça rápida e afirmativamente. Ele comemorou. Dobrei a esquina e dei tchau. Cocei o saco, cuspi no chão e andei como um homem. Não teria mais problemas assim. Não desse tipo. Era outro nível, manolo.
Mais tarde, na rodoviária, encontrei o irmão do meu primo. Ele me cumprimentou, sarcástico. Com toda a glória que Odin proporcionou, olhei para ele e proferi a vingança verbal:
- Lembra daquela parada, cara? Pois é. Lembre-se que um dia tem 24 horas.
Com esse desfecho à la Jack Bauer eu peguei meu ônibus. E fui feliz por uma semana.
Beijo do magro.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Aprendizado Hardcore
Salamaleico, amigos leitores. Novamente venho à este recém-nascido blog para contar umas poucas e boas da minha vida um tanto quanto sofrida (-n). O assunto de hoje é o modo como minha humilde progenitora (já citada antes) lidava comigo, quando criança. Seus métodos, pouco ortodoxos, fizeram de mim o que sou (gente me zoando incoming). Vamos aos fatos.
Minha mãe engravidou jovem (acho que com 16 anos) e, por este reles motivo, não teve paciência alguma em minha criação. A abastada moça, entrava em níveis de fúria com qualquer atitude minha. Desde fazer a popularesca pirraça até o ato de respirar (exagerar para quê?). Alguns eventos ficaram marcados pela ferocidade da senhora de engenho que me arrastava de um lado a outro pelas orelhas.
O Dia do Super Nintendo
Bem, eu nunca fui rico e sempre amei videogames. Sempre fui o último a ganhar algum console e, quando todo mundo tinha Play Station, eu ganhei um Master System. Só duas vezes na vida me senti bem jogando aquilo. Uma foi jogando Michael Jackson - Moonwalker que era um jogo foda. E a outra foi jogando Sonic The Hedgehog que me deixava meio pilhado demais. Minhas notas caíram e minha mãe acabou proibindo o videogame. Entretanto, eu continuava com aquela sede eletrônica e tinha que jogar o melhor dos melhores.
Meu primo Leandro, que sempre ganhava videogames legais, tinha um amigo enorme de gordo chamado Phillippe. O maldito depósito de adipócitos tinha um alto poder aquisitivo, sempre atualizando seu desgracento Super Nintendo. Minha mãe possuía uma rixa com a avó do gordinho, que era uma mulher totalmente preconceituosa (com a minha cor de nescau mal batido) e não ia com a minha carinha de aaaanjo (8). Sendo assim, me proibiu de ultrapassar o portão da casa do Nhonho que era do outro lado da rua apenas.
Um dia, minha mãe entrou na asneira de ser Testemunha de Jeová. Nada contra os adeptos mas, os argumentos são um tanto quanto falhos e eu não sou muito fã de pessoas julgadoras. Em um domingo ensolarado eu soube que minha mãe ficaria o dia todo em casa e eu poderia armar alguma para conseguir jogar Super Nintendo (crianças de sete anos unem inveja à admiração). Fui à casa do Leandro e este me convidou a visitar o pudim de banha que tinha alugado fitas fodas para seu videogame. Meus olhos saltaram das órbitas. Disse que ia, e parti confiante de que ia dar tudo certo. Bem, vocês já sabem do quanto minha mãe é ninja.
Algumas horas de jogatina desenfreada e muito alegre. Estava feliz por, finalmente, conseguir jogar por tanto tempo. O plano estava perfeito até que ouvi um berro. Não foi um grito, foi um berro, mais assustador do que o "Raios e trovões" do tio do Nino. Ele era repetido e assim:
- PEEDRO FELIPEEEEEEE!1112@@@@!
Olhei para a cara do meu primo tentando encontrar abrigo e ele me lançou um olhar de "Com um pepino no ânus você estaria menos fodido". Caminhei até a porta (daquelas com vidro no meio) e olhei para o portão. Lá estava ela. Hitleriana, batendo o pé e com os braços cruzados. A expressão de fúria era tão bizarra que o rosto se afundava em um vortex. Dei tchau (foi mais um "Te vejo em outra vida") para os companheiros de vício e saí da casa. A caminhada até o portão era longa, mas fiz o favor de aumentar a distância com passos curtos. Não adiantou. Eu cheguei lá.
Mal atravessei o portão e fui erguido pelos cabelos. Seguindo em um combo de Street Fighter, dois tapas na bunda e um daqueles tapas expectorantes que tiram catarros milenares do seu pulmão, direto nas costas. Saí "catando cavaco" e fui tomando tabefes, socos, beliscões e puxões de orelha no caminho todo até a casa. Chegando lá, ela me mandou para o banheiro. Achei que a surra tinha acabado e me salvaria com um banho, mas não... A moçoila me empurrou e eu caí no canto do banheiro. Ela se debruço sobre mim e começou a me estapear seguidamente sem parar. Socos, tapas, socos, tapas, socos, tapas... Alternando bizarramente e deixando hematomas que acabaram com o meu HP. Ela só saiu de cima de mim quando meu padrasto chegou e disse que estava na hora do ônibus e ela tinha que ir para a igreja.
Acho que agora vocês entendem porque eu não sou fã de Testemunhas de Jeová.
Curta Sangrento
Imagine a cena:
Eu pequenino e feliz, com cinco anos, correndo pela casa e brincando.
Minha mãe limpava a casa. Mais especificamente varria a sala. Projetei-me para lá correndo como um búfalo bêbado e saltei por cima do montinho de poeira que ela varria.
- Pedro Felipe (sempre assim), pára de correr em cima da sujeira.
Fiz um afirmativo com a cabeça e continuei brincando. Na manobra seguinte, voltei correndo e passei por cima da sujeira sem querer outra vez. Rosana (este é o nome), A Delicada, agarrou-me pela camisa, parou-me na frente dela e enfiou a vassoura no meu joelho. A parte com as piaçavas e tal, penetrou na minha pele. Automaticamente, meu joelho começou a sangrar e ficou como uma peneira por um bom tempo.
Sinuca
Um dia, ao entardecer, esqueci de voltar para casa pois conversava animadamente com alguns apreciadores da boa bebida (leia-se bêbados) que estavam no bar ali perto. Nove anos, traquinas, fui convidado a jogar sinuca por um amigo meu que estava ali. Topei na hora (eu tenho tendências a ser viciado em jogo, pqp). Fomos jogar felizes e contentes o rude esporte (?).
Umas quinze tacadas depois, surge minha mãe. O ambiente da sala onde ficava a sinuca era um cômodo onde, na parede traseira encontrava-se uma abertura que era como um balcão. Na frente, apenas uma porta. Minha mãe surgiu exatamente na abertura traseira. AGORA AMIGOS, OBSERVEM A FRIEZA. Entrou no bar sorrindo, cumprimentou a todos e disse docemente:
- Vamos embora, Pedro (me chamou só de Pedro é trombeta apocalíptica vindo).
Saímos do bar e, chegada certa distância, abaixou-se lentamente e retirou o tamanco do pé. Tamanco de madeira e com uns sete centímetros de espessura. Adivinhe onde o tamanco foi parar? Nas minhas costas, óbvio. Dá-lhe tamancada, puxão de cabelo, tapa na nuca/costas/cabeça até chegar em casa. Apanhei mais. Chorei. Ela me disse para engolir (manobra que mais tarde a irritaria por a minha resistência ter ficado grande demais) o choro. Meu padrasto olhou para minha cara e riu. RIU. E me chamou para jogar uma sinuquinha. Bem, o ódio era mortal, mas o que eu poderia fazer? Não era a primeira vez.
Estes foram alguns casos, amigos. Mas, depois de um tempo, quando eu sabia que a merda era grande, apenas chegava, posicionava-me na frente dela, olhava para o chão e esperava os hits. Firmava o olhar superior e apanhava, como um bom escravo no tronco. Tomei panelada, surra com todas as plantas, tapa, soco, beliscão, chute, golpe de MMA e outras bizarrices. Estou vivo (será?) e talvez um pouco afetado. Mas ninguém nunca vai tirar de mim esse amor, esse orgulho, essa ligação única que tenho para com a minha mãe. Se me permitem, uma ligação de sangue. Literalmente.
Beijo do magro.
Minha mãe engravidou jovem (acho que com 16 anos) e, por este reles motivo, não teve paciência alguma em minha criação. A abastada moça, entrava em níveis de fúria com qualquer atitude minha. Desde fazer a popularesca pirraça até o ato de respirar (exagerar para quê?). Alguns eventos ficaram marcados pela ferocidade da senhora de engenho que me arrastava de um lado a outro pelas orelhas.
O Dia do Super Nintendo
Bem, eu nunca fui rico e sempre amei videogames. Sempre fui o último a ganhar algum console e, quando todo mundo tinha Play Station, eu ganhei um Master System. Só duas vezes na vida me senti bem jogando aquilo. Uma foi jogando Michael Jackson - Moonwalker que era um jogo foda. E a outra foi jogando Sonic The Hedgehog que me deixava meio pilhado demais. Minhas notas caíram e minha mãe acabou proibindo o videogame. Entretanto, eu continuava com aquela sede eletrônica e tinha que jogar o melhor dos melhores.
Meu primo Leandro, que sempre ganhava videogames legais, tinha um amigo enorme de gordo chamado Phillippe. O maldito depósito de adipócitos tinha um alto poder aquisitivo, sempre atualizando seu desgracento Super Nintendo. Minha mãe possuía uma rixa com a avó do gordinho, que era uma mulher totalmente preconceituosa (com a minha cor de nescau mal batido) e não ia com a minha carinha de aaaanjo (8). Sendo assim, me proibiu de ultrapassar o portão da casa do Nhonho que era do outro lado da rua apenas.
Um dia, minha mãe entrou na asneira de ser Testemunha de Jeová. Nada contra os adeptos mas, os argumentos são um tanto quanto falhos e eu não sou muito fã de pessoas julgadoras. Em um domingo ensolarado eu soube que minha mãe ficaria o dia todo em casa e eu poderia armar alguma para conseguir jogar Super Nintendo (crianças de sete anos unem inveja à admiração). Fui à casa do Leandro e este me convidou a visitar o pudim de banha que tinha alugado fitas fodas para seu videogame. Meus olhos saltaram das órbitas. Disse que ia, e parti confiante de que ia dar tudo certo. Bem, vocês já sabem do quanto minha mãe é ninja.
Algumas horas de jogatina desenfreada e muito alegre. Estava feliz por, finalmente, conseguir jogar por tanto tempo. O plano estava perfeito até que ouvi um berro. Não foi um grito, foi um berro, mais assustador do que o "Raios e trovões" do tio do Nino. Ele era repetido e assim:
- PEEDRO FELIPEEEEEEE!1112@@@@!
Olhei para a cara do meu primo tentando encontrar abrigo e ele me lançou um olhar de "Com um pepino no ânus você estaria menos fodido". Caminhei até a porta (daquelas com vidro no meio) e olhei para o portão. Lá estava ela. Hitleriana, batendo o pé e com os braços cruzados. A expressão de fúria era tão bizarra que o rosto se afundava em um vortex. Dei tchau (foi mais um "Te vejo em outra vida") para os companheiros de vício e saí da casa. A caminhada até o portão era longa, mas fiz o favor de aumentar a distância com passos curtos. Não adiantou. Eu cheguei lá.
Mal atravessei o portão e fui erguido pelos cabelos. Seguindo em um combo de Street Fighter, dois tapas na bunda e um daqueles tapas expectorantes que tiram catarros milenares do seu pulmão, direto nas costas. Saí "catando cavaco" e fui tomando tabefes, socos, beliscões e puxões de orelha no caminho todo até a casa. Chegando lá, ela me mandou para o banheiro. Achei que a surra tinha acabado e me salvaria com um banho, mas não... A moçoila me empurrou e eu caí no canto do banheiro. Ela se debruço sobre mim e começou a me estapear seguidamente sem parar. Socos, tapas, socos, tapas, socos, tapas... Alternando bizarramente e deixando hematomas que acabaram com o meu HP. Ela só saiu de cima de mim quando meu padrasto chegou e disse que estava na hora do ônibus e ela tinha que ir para a igreja.
Acho que agora vocês entendem porque eu não sou fã de Testemunhas de Jeová.
Curta Sangrento
Imagine a cena:
Eu pequenino e feliz, com cinco anos, correndo pela casa e brincando.
Minha mãe limpava a casa. Mais especificamente varria a sala. Projetei-me para lá correndo como um búfalo bêbado e saltei por cima do montinho de poeira que ela varria.
- Pedro Felipe (sempre assim), pára de correr em cima da sujeira.
Fiz um afirmativo com a cabeça e continuei brincando. Na manobra seguinte, voltei correndo e passei por cima da sujeira sem querer outra vez. Rosana (este é o nome), A Delicada, agarrou-me pela camisa, parou-me na frente dela e enfiou a vassoura no meu joelho. A parte com as piaçavas e tal, penetrou na minha pele. Automaticamente, meu joelho começou a sangrar e ficou como uma peneira por um bom tempo.
Sinuca
Um dia, ao entardecer, esqueci de voltar para casa pois conversava animadamente com alguns apreciadores da boa bebida (leia-se bêbados) que estavam no bar ali perto. Nove anos, traquinas, fui convidado a jogar sinuca por um amigo meu que estava ali. Topei na hora (eu tenho tendências a ser viciado em jogo, pqp). Fomos jogar felizes e contentes o rude esporte (?).
Umas quinze tacadas depois, surge minha mãe. O ambiente da sala onde ficava a sinuca era um cômodo onde, na parede traseira encontrava-se uma abertura que era como um balcão. Na frente, apenas uma porta. Minha mãe surgiu exatamente na abertura traseira. AGORA AMIGOS, OBSERVEM A FRIEZA. Entrou no bar sorrindo, cumprimentou a todos e disse docemente:
- Vamos embora, Pedro (me chamou só de Pedro é trombeta apocalíptica vindo).
Saímos do bar e, chegada certa distância, abaixou-se lentamente e retirou o tamanco do pé. Tamanco de madeira e com uns sete centímetros de espessura. Adivinhe onde o tamanco foi parar? Nas minhas costas, óbvio. Dá-lhe tamancada, puxão de cabelo, tapa na nuca/costas/cabeça até chegar em casa. Apanhei mais. Chorei. Ela me disse para engolir (manobra que mais tarde a irritaria por a minha resistência ter ficado grande demais) o choro. Meu padrasto olhou para minha cara e riu. RIU. E me chamou para jogar uma sinuquinha. Bem, o ódio era mortal, mas o que eu poderia fazer? Não era a primeira vez.
Estes foram alguns casos, amigos. Mas, depois de um tempo, quando eu sabia que a merda era grande, apenas chegava, posicionava-me na frente dela, olhava para o chão e esperava os hits. Firmava o olhar superior e apanhava, como um bom escravo no tronco. Tomei panelada, surra com todas as plantas, tapa, soco, beliscão, chute, golpe de MMA e outras bizarrices. Estou vivo (será?) e talvez um pouco afetado. Mas ninguém nunca vai tirar de mim esse amor, esse orgulho, essa ligação única que tenho para com a minha mãe. Se me permitem, uma ligação de sangue. Literalmente.
Beijo do magro.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Minha Mãe É Ninja
Estou de volta à esta bosta de brogue para narrar mais um episódio da minha vida que marcou não só a mim, mas a todos os desgraçados que ouviram esta história e riram da minha cara.
Bem, comecemos do porquê de nascer tal narrativa. Um dia eu e meu amigo Ricardo (tocávamos guitarra juntos em uma banda), batíamos um papo quando nasceu o assunto "camisa rasgada". Falei para ele que minha mãe uma vez tinha rasgado uma camisa minha em um acesso de fúria absurdo. Ricardo, O Curioso, quis saber o que houve de tão mortal para que a minha humilde progenitora fizesse isso. Nasceu este conto.
Nestes idos eu coloquei na cabeça que tinha que aprender Le Parkour. Amigos, tudo bem que eu peso 65 kg desde os treze anos e, no momento, meço 1,76, mas isso não me faz menos sedentário. Apesar de correr como o vento (eu corro muito mesmo), não tenho nenhuma afinidade com atividades físicas e acabo vomitando os pulmões e mastigando brônquios depois de dez minutos de corrida. Porém, era o boom da época e eu tinha que tentar.
Foi muito falho, eu digo. Eu não tinha coragem para me arriscar nas manobras perigosas e quebrar a minha cara. Mas, mesmo assim, passei uns quatro dias tentando convencer à minha mente de que eu era capaz de pular mesas, dar mortais, fazer rolamentos e outras babaquices que a gente nem sabe porque começou e nem lembra porque terminou.
Dia após dia, na saída do colégio eu ia para a praça e começava a saltitar like a demente as mesas e muros do local. Pulei do anfiteatro (quase quebrei as pernas), subi no anfiteatro (ralei meu joelho todo) e fiz um pulo lateral na mesa que só eu sabia fazer. E era a única coisa que minha coragem permitia.
Entretanto, esta minha dedicação ao esporte Parkour fez com que eu chegasse uma sequência de três dias em casa pelas 23:30/00:00. Mas eu, Pedro, O Ninja, O Perspicaz, O Fugaz, usava de uma traquitana feita por mim mesmo para burlar a aristocracia residencial, vulgo, minha mãe. A janela do meu quarto não abria, mas, dentro dela, haviam dois vidros que cediam quando empurrados para dentro. O vidro do lado direito era coberto por uma tela que, milênios atrás, teve a função de proteger contra mosquitos. Pois bem, eu deixava esta janela semiaberta e, na calada da night, enfiava minha mão por um buraco na tela, abria a outra janela e saltava direto na cama. Por três dias eu fiz, e por três dias deu certo.
Bem, no quarto dia, as atividades saltitescas duraram um pouco mais que o esperado. Peguei o ônibus de 23:30 alegre e conversando com os amigos, crente que, mais uma vez, meu plano ninja inspirado em Kakashi Sensei e Samurai Jack daria completamente certo. Mas Agatha Christie disse que "não existe crime perfeito", e ela estava muito certa.
Eram 00:05 quando atravessei o portão de casa. O mato à frente da residência chegava aos joelhos, tamanha a ferrenha preguiça dos habitantes (e minha negligência) à limpeza do quintal. Me depositei na frente da janela, para executar a manobra de sempre, com um sorriso de troll face tatuado no rosto. Empurrei a janela e... surpresa. Minha mãe, com uma camisa de partido, os cabelos todos para o alto e uma cara de mafagafo apenas proferiu uma frase:
- Entra pela cozinha.
Eu entrei, com a cabeça baixa, e fui até ela. Começou uma sucessão de gritos como "você acha que eu sou idiota?", "vou te mandar para a casa do seu pai", "você me respeita", "eu não sou maluca", "você acha que isso tá certo?", etc, etc. Em dado momento, a mulher se irritou comigo, me agarrou pela gola da camisa (sim) e me ARREMESSOU NO ARMÁRIO. Amigos??! Têm noção? A mulher me ergueu, praticamente, pela gola, e me jogou de costas no armário, fazendo a porta abrir e ele chocar contra a parede. Me senti um típico vilão dos filmes de faroeste que, sob efeito de um tiro, voam pela janela. Nesta manobra dirigida por Steven Spielberg, minha camisa rasgou na costura do ombro à gola. Costurada em seguida.
Fiquei alguns dias de castigo mas, desde aquele dia, eu aviso antes de ficar fora de casa ou chegar tarde. Numa espécie de Super Sayajin 2 a mulher me arremessou de costas no armário. E, sinceramente, não tô a fim de ver o que ela vai fazer se eu engravidar uma fulana por aí. Aquilo é bicho ruim. Pode escrever.
Ficam as lições:
1 - Avise à sua mamãe antes de chegar em casa.
2 - Sua mãe pode ser um sayajin e beber néctar do deabo.
3 - Troque o meio de entrada, ou você será pego.
Um beijo do magro.
Bem, comecemos do porquê de nascer tal narrativa. Um dia eu e meu amigo Ricardo (tocávamos guitarra juntos em uma banda), batíamos um papo quando nasceu o assunto "camisa rasgada". Falei para ele que minha mãe uma vez tinha rasgado uma camisa minha em um acesso de fúria absurdo. Ricardo, O Curioso, quis saber o que houve de tão mortal para que a minha humilde progenitora fizesse isso. Nasceu este conto.
Nestes idos eu coloquei na cabeça que tinha que aprender Le Parkour. Amigos, tudo bem que eu peso 65 kg desde os treze anos e, no momento, meço 1,76, mas isso não me faz menos sedentário. Apesar de correr como o vento (eu corro muito mesmo), não tenho nenhuma afinidade com atividades físicas e acabo vomitando os pulmões e mastigando brônquios depois de dez minutos de corrida. Porém, era o boom da época e eu tinha que tentar.
Foi muito falho, eu digo. Eu não tinha coragem para me arriscar nas manobras perigosas e quebrar a minha cara. Mas, mesmo assim, passei uns quatro dias tentando convencer à minha mente de que eu era capaz de pular mesas, dar mortais, fazer rolamentos e outras babaquices que a gente nem sabe porque começou e nem lembra porque terminou.
Dia após dia, na saída do colégio eu ia para a praça e começava a saltitar like a demente as mesas e muros do local. Pulei do anfiteatro (quase quebrei as pernas), subi no anfiteatro (ralei meu joelho todo) e fiz um pulo lateral na mesa que só eu sabia fazer. E era a única coisa que minha coragem permitia.
Entretanto, esta minha dedicação ao esporte Parkour fez com que eu chegasse uma sequência de três dias em casa pelas 23:30/00:00. Mas eu, Pedro, O Ninja, O Perspicaz, O Fugaz, usava de uma traquitana feita por mim mesmo para burlar a aristocracia residencial, vulgo, minha mãe. A janela do meu quarto não abria, mas, dentro dela, haviam dois vidros que cediam quando empurrados para dentro. O vidro do lado direito era coberto por uma tela que, milênios atrás, teve a função de proteger contra mosquitos. Pois bem, eu deixava esta janela semiaberta e, na calada da night, enfiava minha mão por um buraco na tela, abria a outra janela e saltava direto na cama. Por três dias eu fiz, e por três dias deu certo.
Bem, no quarto dia, as atividades saltitescas duraram um pouco mais que o esperado. Peguei o ônibus de 23:30 alegre e conversando com os amigos, crente que, mais uma vez, meu plano ninja inspirado em Kakashi Sensei e Samurai Jack daria completamente certo. Mas Agatha Christie disse que "não existe crime perfeito", e ela estava muito certa.
Eram 00:05 quando atravessei o portão de casa. O mato à frente da residência chegava aos joelhos, tamanha a ferrenha preguiça dos habitantes (e minha negligência) à limpeza do quintal. Me depositei na frente da janela, para executar a manobra de sempre, com um sorriso de troll face tatuado no rosto. Empurrei a janela e... surpresa. Minha mãe, com uma camisa de partido, os cabelos todos para o alto e uma cara de mafagafo apenas proferiu uma frase:
- Entra pela cozinha.
Eu entrei, com a cabeça baixa, e fui até ela. Começou uma sucessão de gritos como "você acha que eu sou idiota?", "vou te mandar para a casa do seu pai", "você me respeita", "eu não sou maluca", "você acha que isso tá certo?", etc, etc. Em dado momento, a mulher se irritou comigo, me agarrou pela gola da camisa (sim) e me ARREMESSOU NO ARMÁRIO. Amigos??! Têm noção? A mulher me ergueu, praticamente, pela gola, e me jogou de costas no armário, fazendo a porta abrir e ele chocar contra a parede. Me senti um típico vilão dos filmes de faroeste que, sob efeito de um tiro, voam pela janela. Nesta manobra dirigida por Steven Spielberg, minha camisa rasgou na costura do ombro à gola. Costurada em seguida.
Fiquei alguns dias de castigo mas, desde aquele dia, eu aviso antes de ficar fora de casa ou chegar tarde. Numa espécie de Super Sayajin 2 a mulher me arremessou de costas no armário. E, sinceramente, não tô a fim de ver o que ela vai fazer se eu engravidar uma fulana por aí. Aquilo é bicho ruim. Pode escrever.
Ficam as lições:
1 - Avise à sua mamãe antes de chegar em casa.
2 - Sua mãe pode ser um sayajin e beber néctar do deabo.
3 - Troque o meio de entrada, ou você será pego.
Um beijo do magro.
O Vinho, A Velha e o Caos - Parte 2
Bem, voltando à história deste sagrado e bendito porre, parei na parte em que entrava no ônibus. Vamos ao desfecho desta epopeia alcoolizada.
Myllene garantiu que me colocaria para fora depois de eu implorar 1273681723 vezes e dizer outras 23847239487 vezes que minha mãe iria me matar e rir em seguida. Entramos no ônibus tropeçando no ar e nos jogamos nos bancos do fundo (porque será?). Pedro ficou na rodoviária, pois tinha que pegar outro ônibus.
Coloquei minha cabeça para fora da janela e comecei a gritar todos os conhecidos e desconhecidos que passavam. Destaque para um "Sthefanie, eu te amo. Casa comigo." que foi meio infeliz. Júlio me acompanhava neste couro infernal, tornando a vergonha alheia um fardo a se dividir.
Na época, Júlio morria de amores por uma menina que aqui será dominada por Marins. Jurou, no mesmo dia, esquecê-la. Bem, aparentemente, depois da uva com teor do líquido do deabo, desistiu de esquecer. Disse três mil vezes que amava a fulana. Abracei ele. Disse que ele era foda, que era meu irmão, que ela ia ficar com ele. Disse pra todo mundo que a Myllene beijava bem (isso é outra história), e passei a viagem toda tentando convencer a Bruna de que o namorado dela era uma merda e eu era o melhor que ela poderia ter (exatamente assim).
[ Na reta final da viagem, começamos um papo espiritual e Júlio disse que espíritos estariam tomando posse de mim. Tirou um terço do bolso, cravou na minha testa e começou a recitar o Pai Nosso em latim. AMIGOS????!!!! Tem noção da bizarrice? UAEHUEHAE Ele recitou a oração inteira (tropeçando nas palavras, óbvio) e, quando terminou, entregou-me o sagrado objeto.]
O parágrafo acima está entre colchetes por um simples fato. No dia seguinte, sem lembrar de nada, acordei e fui para a Educação Física na escola. Chegando lá, fui pegar meu celular no bolso e, pasmem, TINHA UM TERÇO LÁ. E a pior parte: EU NÃO FAZIA IDEIA DE COMO CHEGOU ALI! Entrei em um desespero fodido porque poderiam ter me bulinado com aquele terço ou até enfiado na minha virilha. Vai saber. Mas depois a Myllenne clareou a memória e eu me lembrei.
Enfim, do nada, Myllenne me levantou e disse que estava no meu ponto. Abracei o Júlio, dei um "tichau" bêbado às duas e saltei do veículo. Daí em diante é blackout. Na mão do palhaço inteiramente. Não faço a mínima ideia de como cheguei em casa, só lembro da porta da cozinha, minha mãe lavando louça e meu irmão passando. Me achando ninja pra caralho e muito esperto, tirei minha calça e caí de cara no travesseiro. Mas a paz seria por pouco tempo.
Meu apetite costuma ser voraz demais para deitar sem comer. Minha mãe, desconfiando de que eu estava muito doente por não jantar, veio à minha cama. Imaginei ter dormido cinco anos, quando devem ter sido uns dez minutos. A progenitora me acordou e iniciou-se o seguinte diálogo:
- Pedro, você tá bem?
- Eun, toww.
- Pedro... Pedro, você tá bêbado?
- Quen bêbedum main, cê tá maloca?
- PEDRO FELIPE, VOCÊ ESTÁ BÊBADO.
- Num tôn bêbedum.
- Bafora na minha cara.
- Nom...
- Bafora logo.
~bafora~
- Porra, Pedro Felipe, você tá bêbado. Vai pro chuveiro.
Fui eu para o chuveiro, deitei no box e fiquei olhando a água descer pelo ralo imaginando mil coisas. Depois disso voltei pra cama e fui dormir. Acordei no outro dia e fui direto para escola, passando pelo trauma descrito uns parágrafos acima. Voltei e tomei um sermão leve do estilo "ele é um bom garoto, só se desviou um pouco". Crente que seria uma vergonha, uma mancha no nome da família, mas não foi bem assim. Dias depois, eu e meu amigo Elísio conversávamos quando ele manda a pérola:
- Caralho, sua mãe é maluca! - disse Elísio, O Orelhudo.
- Disso eu sei, mas porquê, dessa vez? - questionei.
- Cara, ela foi lá em casa ontem fofocar com a minha mãe. Aí depois veio falar comigo. Me contou toda feliz que o filho dela tinha enchido a cara no dia anterior. Rindo à toa.
Agora, amigos, ficam as lições.
1 - Você nunca entenderá sua mãe ou as mulheres.
2 - Não tope tomar vinho na taça de uma velha
3 - Cuidado com os terços.
Beijo do magro.
Myllene garantiu que me colocaria para fora depois de eu implorar 1273681723 vezes e dizer outras 23847239487 vezes que minha mãe iria me matar e rir em seguida. Entramos no ônibus tropeçando no ar e nos jogamos nos bancos do fundo (porque será?). Pedro ficou na rodoviária, pois tinha que pegar outro ônibus.
Coloquei minha cabeça para fora da janela e comecei a gritar todos os conhecidos e desconhecidos que passavam. Destaque para um "Sthefanie, eu te amo. Casa comigo." que foi meio infeliz. Júlio me acompanhava neste couro infernal, tornando a vergonha alheia um fardo a se dividir.
Na época, Júlio morria de amores por uma menina que aqui será dominada por Marins. Jurou, no mesmo dia, esquecê-la. Bem, aparentemente, depois da uva com teor do líquido do deabo, desistiu de esquecer. Disse três mil vezes que amava a fulana. Abracei ele. Disse que ele era foda, que era meu irmão, que ela ia ficar com ele. Disse pra todo mundo que a Myllene beijava bem (isso é outra história), e passei a viagem toda tentando convencer a Bruna de que o namorado dela era uma merda e eu era o melhor que ela poderia ter (exatamente assim).
[ Na reta final da viagem, começamos um papo espiritual e Júlio disse que espíritos estariam tomando posse de mim. Tirou um terço do bolso, cravou na minha testa e começou a recitar o Pai Nosso em latim. AMIGOS????!!!! Tem noção da bizarrice? UAEHUEHAE Ele recitou a oração inteira (tropeçando nas palavras, óbvio) e, quando terminou, entregou-me o sagrado objeto.]
O parágrafo acima está entre colchetes por um simples fato. No dia seguinte, sem lembrar de nada, acordei e fui para a Educação Física na escola. Chegando lá, fui pegar meu celular no bolso e, pasmem, TINHA UM TERÇO LÁ. E a pior parte: EU NÃO FAZIA IDEIA DE COMO CHEGOU ALI! Entrei em um desespero fodido porque poderiam ter me bulinado com aquele terço ou até enfiado na minha virilha. Vai saber. Mas depois a Myllenne clareou a memória e eu me lembrei.
Enfim, do nada, Myllenne me levantou e disse que estava no meu ponto. Abracei o Júlio, dei um "tichau" bêbado às duas e saltei do veículo. Daí em diante é blackout. Na mão do palhaço inteiramente. Não faço a mínima ideia de como cheguei em casa, só lembro da porta da cozinha, minha mãe lavando louça e meu irmão passando. Me achando ninja pra caralho e muito esperto, tirei minha calça e caí de cara no travesseiro. Mas a paz seria por pouco tempo.
Meu apetite costuma ser voraz demais para deitar sem comer. Minha mãe, desconfiando de que eu estava muito doente por não jantar, veio à minha cama. Imaginei ter dormido cinco anos, quando devem ter sido uns dez minutos. A progenitora me acordou e iniciou-se o seguinte diálogo:
- Pedro, você tá bem?
- Eun, toww.
- Pedro... Pedro, você tá bêbado?
- Quen bêbedum main, cê tá maloca?
- PEDRO FELIPE, VOCÊ ESTÁ BÊBADO.
- Num tôn bêbedum.
- Bafora na minha cara.
- Nom...
- Bafora logo.
~bafora~
- Porra, Pedro Felipe, você tá bêbado. Vai pro chuveiro.
Fui eu para o chuveiro, deitei no box e fiquei olhando a água descer pelo ralo imaginando mil coisas. Depois disso voltei pra cama e fui dormir. Acordei no outro dia e fui direto para escola, passando pelo trauma descrito uns parágrafos acima. Voltei e tomei um sermão leve do estilo "ele é um bom garoto, só se desviou um pouco". Crente que seria uma vergonha, uma mancha no nome da família, mas não foi bem assim. Dias depois, eu e meu amigo Elísio conversávamos quando ele manda a pérola:
- Caralho, sua mãe é maluca! - disse Elísio, O Orelhudo.
- Disso eu sei, mas porquê, dessa vez? - questionei.
- Cara, ela foi lá em casa ontem fofocar com a minha mãe. Aí depois veio falar comigo. Me contou toda feliz que o filho dela tinha enchido a cara no dia anterior. Rindo à toa.
Agora, amigos, ficam as lições.
1 - Você nunca entenderá sua mãe ou as mulheres.
2 - Não tope tomar vinho na taça de uma velha
3 - Cuidado com os terços.
Beijo do magro.
O Vinho, A Velha e o Caos - Parte 1
Bem, sob influência de um vestibular derretedor de mentes e um descanso cerebral tedioso, venho a este blog contar peripécias de uma vida que não é tão legal assim, mas deve ser registrada para que meus netos possam ter, ao menos, vergonha de mim. Hoje o assunto é uma bebedeira antiga, porém épica, ocorrida nos idos de 2009 (uma das primeiras).
Tudo começou com uma mania minha de querer dar uma de fodão nos grupos. Na época, eu tinha lá meus feelings headbangers e queria agradar à galera do mal. A música eu curtia mesmo, não era modismo. Aliás, até hoje ouço bandas como Dimmu Borgir do mesmo modo como minha mãe aprecia Belo, ou um Lorde inglês do século XVII apreciava óperas. Porém, este não é o foco. Por pensar que não me encaixava em nenhum maldito grupo, me enfiei naquele (mesmo sendo magrelo e usando óculos) com minhas camisas de banda e minhas correntes. Um allstar preto de couro completava o look "mamãe sou do metal". Minha mãe dizia que era de época, eu afirmava que seria para sempre. Não errei, continuo com o "révi mérou" na veia, mas agora desenvolvi um certo senso de ridículo (ou não).
Era uma noite de sexta-feita, monótona como todas as outras noites de sexta-feira em uma cidade microscópica. Cidades assim me fazem acreditar que, como dizia Stephen Hawking, existe um universo em uma casca de noz. A minha cidade é uma casca de noz para algum gigante, só não entendo porque ele não pisa logo nesta bosta. Chega de divagar (trocadilhos com devagar incoming), saí da escola na minha caminhada habitual até a praça que se encontra exatamente no centro da cidade, que, por falta de criatividade e preguiça, é um bairro chamado Centro. Encontrei lá os amigos habituais, não nomearei todos, apenas os importantes à narrativa: Júlio e Pedro.
Nada para fazer, sexta-feira, filosofias (?) na cabeça. Pedro, trabalhador e independente, infla seu tórax e diz:
- Pô, vou comprar um vinho.
Júlio, manguaceiro nas horas vagas, retruca:
- Ih, bora lá - virando-se para mim - Vamos, System? (uma de minhas alcunhas)
Eu não tive muito tempo para pensar em minha mãe apertando minha traqueia e depois arrancando-a com a própria mão do meu pescoço, então, aceitei no impulso. Fomos ao mercado, os dois andaram um pouco e compraram duas garrafas de vinho. Eu era o único menor de idade do grupo mas, quem liga? É uma casca de noz, não me surpreenderia se visse um senhor de engenho andando por aqui. Bem, deixamos para trás os olhares ameaçadores da mulher do caixa (eu tenho medo de mulheres do caixa) e seguiu-se um diálogo à porta do supermercado:
- Vamos levar para lá? - perguntou Pedro, referindo-se à praça.
- Não, cara, vamos beber uma aqui e ir bebendo a outra. - disse Júlio Félix, O Sábio.
- Isso aí - disse eu.
Aliás, eu até falava mais coisa e do jeito que eu escrevi parece que eu apenas balançava a cabeça afirmativa ou negativamente. Todavia, a minha parte do diálogo ainda não vai enriquecer o enredo, então, eu as corto. Voltando à narrativa, decidimos que seria feito deste modo: abrimos uma garrafa e começamos a beber vagarosamente. Quando havia metade da garrafa, eu (para exibir toda a minha foderasticidade) virei o restante todo. Olhares surpresos alimentaram meu ego e fomos nós à próxima garrafa.
A divisão parece pequena, mas foi bastante vinho para cada um. Sorvi de mais uns bons trinta goles da bebida do demônio (até engasguei em um momento, porém, disfarcei como todo bom sir) e chegamos de novo à praça. O povo de sempre reunia-se em uma mini ponte que atravessa um lago. Bem... Sabe aquele estágio do Mortal Kombat onde o Fatality consiste em jogar o oponente no ácido com um gancho? O mini lago é isso aí. As pessoas estavam sentadas nas bordas da subida desta ponte. Pediram um gole, mas o Pedro, O Bebedor, virou o restante, deixando todos com a cara de fuinha iminente a todo adolescente que quer mostrar para os outros que bebe.
Olhei meu relógio e alarmei:
- Júlio, tá na hora do ônibus.
Júlio, O Alegre, respondeu:
- Ih, verdade. Vambora, Pedro.
Cumprimentamos os fulanos ali vagabundeando e iniciamos uma curta caminhada até a rodoviária. Júlio começou a sofrer uma espécie de surto reverso e dizer que beber era ruim, pois deixava as pessoas fora de si e causava uma espécie de carma espiritual (isso é comum em nossas conversas). Pedro, O Filósofo, prontamente respondeu que bebíamos por estarmos felizes, para comemorar a vida neste mundo imundo (uia). Jovens(relativamente, Júlio tinha 20, Pedro 22 e eu 15), cabeça oca, qualquer argumento filosófico e do estilo "THIS IS SPARTA" nos convenceria, mas aquele veio a calhar. E agora começa a história em si.
Chegando na rodoviária encontramos duas amigas, Bruna e Myllene, e depois seguimos até o banheiro desta construção. Júlio entrou sob o protesto de "precisar mijar urgentemente" e eu e Pedro desenvolvemos uma conversação que daria início às peripécias da noite:
- Porra, Pedro, não bebo quase nunca, achei que ia estar caindo pelas tabelas. - disse eu.
- Ah, cara, a gente bebeu pouco. Mas eu até que estou começando a ver uns brilhos nas coisas.
- Eu não tô... - força a visão - Eu acho que tá começando o efeito.
Dei um passo à frente e minha visão tornou-se um caleidoscópio. Tudo em volta era embaçado com um foco high definition no centro. As pernas não obedeciam. Cada uma ia para o lado que desejava e fazia o que queria. Júlio voltou do banheiro no mesmo estado. Rindo como se sua vida fosse dirigir filmes pornôs e comer lasanha todos os dias. O trio ficou no mesmo patamar e, não sendo merda o bastante, resolveu comprar mais uma garrafa de vinho.
Eu repetia a todo momento que minha mãe ia me matar, seguido de uma crise de riso e de um questionamento do porquê de estar rindo. Júlio cantava qualquer garota/ser/entidade que atravessasse seu caminho e Pedro... Bem, depois ele arranjou o que fazer. Paramos em frente à rua cujo bar era do outro lado. Pedro, O Bêbado Safo, atravessou like a boss e adentrou o boteco. Eu segurei no ombro do Júlio e falei:
- Cara, não tô a fim de morrer. Vamos no 3. 1... 2... 3... BORA!
Atravessamos a rua nos apoiando um no outro e rindo desgraçadamente. Ele entrou no bar e eu me choquei contra uma pilastra (que, aparentemente, não estava lá um segundo antes), ficando ali até que eles saíssem com a última garrafa de vinho da noite. Atravessamos a rua (agora no foda-se, se fosse para morrer, morreríamos ali mesmo) bebendo como bárbaros o vinho da garrafa. De repente, chegando ao outro lado, uma senhora nos pára:
- Meninos, isso lá é jeito de beber vinho? No gargalo? - disse a não tão distinta senhora.
- É - respondi virando mais uns cinco goles do líquido gelado e sem sabor.
A senhora fingiu não ouvir:
- Vamos ali no meu carro que eu tenho algumas taças. Vou ensinar vocês como se bebe com estilo.
Nós três rimos escaralhadamente. Uma velha queria traçar os três de uma vez, QUE ISSO AMIGOS?? Senti uma mão puxando meu braço e me levando em direção à fila do meu ônibus. Olhei para o lado e vi a Myllene me carregando, rindo absurdamente. Atrás dela, Pedro dava o braço à Bruna e pedia insistentemente para casar com ela. Chegamos à fila e ela me parou no lugar. Fiquei olhando para o chão e girando no meu próprio eixo, sem sair do lugar. Ao melhor estilo Michael Jackson quando se precipitava para frente e não caía. Pois é, amigos, eu não precisava travar os pés.
Do nada, a Myllene lembra-se de uma falta grave no plantel bebum:
- Cadê o Júlio?
Pedro, quase se engasgando em meio à risada, responde:
- Caralho, ele tá com a velha.
Amigos, eu estava fora de meus sentidos e comecei a rir como um chimpanzé tresloucado. Myllene me disse para ficar ali e saiu para buscar o Júlio. Vi o cara da frente na fila me olhar torto como se dissesse "Vai pro Inferno, hein" e todo mundo sumiu do meu lado. Logo em seguida surge o Júlio, rindo de orelha à orelha gritando para quem quisesse ouvir que "a velha quis me comer".
Implorei à Myllena que me empurrasse para fora do ônibus no momento em que chegasse, pois eu não via nada com clareza e ia ficar fodido e mal pago se não descesse em casa.
Tudo começou com uma mania minha de querer dar uma de fodão nos grupos. Na época, eu tinha lá meus feelings headbangers e queria agradar à galera do mal. A música eu curtia mesmo, não era modismo. Aliás, até hoje ouço bandas como Dimmu Borgir do mesmo modo como minha mãe aprecia Belo, ou um Lorde inglês do século XVII apreciava óperas. Porém, este não é o foco. Por pensar que não me encaixava em nenhum maldito grupo, me enfiei naquele (mesmo sendo magrelo e usando óculos) com minhas camisas de banda e minhas correntes. Um allstar preto de couro completava o look "mamãe sou do metal". Minha mãe dizia que era de época, eu afirmava que seria para sempre. Não errei, continuo com o "révi mérou" na veia, mas agora desenvolvi um certo senso de ridículo (ou não).
Era uma noite de sexta-feita, monótona como todas as outras noites de sexta-feira em uma cidade microscópica. Cidades assim me fazem acreditar que, como dizia Stephen Hawking, existe um universo em uma casca de noz. A minha cidade é uma casca de noz para algum gigante, só não entendo porque ele não pisa logo nesta bosta. Chega de divagar (trocadilhos com devagar incoming), saí da escola na minha caminhada habitual até a praça que se encontra exatamente no centro da cidade, que, por falta de criatividade e preguiça, é um bairro chamado Centro. Encontrei lá os amigos habituais, não nomearei todos, apenas os importantes à narrativa: Júlio e Pedro.
Nada para fazer, sexta-feira, filosofias (?) na cabeça. Pedro, trabalhador e independente, infla seu tórax e diz:
- Pô, vou comprar um vinho.
Júlio, manguaceiro nas horas vagas, retruca:
- Ih, bora lá - virando-se para mim - Vamos, System? (uma de minhas alcunhas)
Eu não tive muito tempo para pensar em minha mãe apertando minha traqueia e depois arrancando-a com a própria mão do meu pescoço, então, aceitei no impulso. Fomos ao mercado, os dois andaram um pouco e compraram duas garrafas de vinho. Eu era o único menor de idade do grupo mas, quem liga? É uma casca de noz, não me surpreenderia se visse um senhor de engenho andando por aqui. Bem, deixamos para trás os olhares ameaçadores da mulher do caixa (eu tenho medo de mulheres do caixa) e seguiu-se um diálogo à porta do supermercado:
- Vamos levar para lá? - perguntou Pedro, referindo-se à praça.
- Não, cara, vamos beber uma aqui e ir bebendo a outra. - disse Júlio Félix, O Sábio.
- Isso aí - disse eu.
Aliás, eu até falava mais coisa e do jeito que eu escrevi parece que eu apenas balançava a cabeça afirmativa ou negativamente. Todavia, a minha parte do diálogo ainda não vai enriquecer o enredo, então, eu as corto. Voltando à narrativa, decidimos que seria feito deste modo: abrimos uma garrafa e começamos a beber vagarosamente. Quando havia metade da garrafa, eu (para exibir toda a minha foderasticidade) virei o restante todo. Olhares surpresos alimentaram meu ego e fomos nós à próxima garrafa.
A divisão parece pequena, mas foi bastante vinho para cada um. Sorvi de mais uns bons trinta goles da bebida do demônio (até engasguei em um momento, porém, disfarcei como todo bom sir) e chegamos de novo à praça. O povo de sempre reunia-se em uma mini ponte que atravessa um lago. Bem... Sabe aquele estágio do Mortal Kombat onde o Fatality consiste em jogar o oponente no ácido com um gancho? O mini lago é isso aí. As pessoas estavam sentadas nas bordas da subida desta ponte. Pediram um gole, mas o Pedro, O Bebedor, virou o restante, deixando todos com a cara de fuinha iminente a todo adolescente que quer mostrar para os outros que bebe.
Olhei meu relógio e alarmei:
- Júlio, tá na hora do ônibus.
Júlio, O Alegre, respondeu:
- Ih, verdade. Vambora, Pedro.
Cumprimentamos os fulanos ali vagabundeando e iniciamos uma curta caminhada até a rodoviária. Júlio começou a sofrer uma espécie de surto reverso e dizer que beber era ruim, pois deixava as pessoas fora de si e causava uma espécie de carma espiritual (isso é comum em nossas conversas). Pedro, O Filósofo, prontamente respondeu que bebíamos por estarmos felizes, para comemorar a vida neste mundo imundo (uia). Jovens(relativamente, Júlio tinha 20, Pedro 22 e eu 15), cabeça oca, qualquer argumento filosófico e do estilo "THIS IS SPARTA" nos convenceria, mas aquele veio a calhar. E agora começa a história em si.
Chegando na rodoviária encontramos duas amigas, Bruna e Myllene, e depois seguimos até o banheiro desta construção. Júlio entrou sob o protesto de "precisar mijar urgentemente" e eu e Pedro desenvolvemos uma conversação que daria início às peripécias da noite:
- Porra, Pedro, não bebo quase nunca, achei que ia estar caindo pelas tabelas. - disse eu.
- Ah, cara, a gente bebeu pouco. Mas eu até que estou começando a ver uns brilhos nas coisas.
- Eu não tô... - força a visão - Eu acho que tá começando o efeito.
Dei um passo à frente e minha visão tornou-se um caleidoscópio. Tudo em volta era embaçado com um foco high definition no centro. As pernas não obedeciam. Cada uma ia para o lado que desejava e fazia o que queria. Júlio voltou do banheiro no mesmo estado. Rindo como se sua vida fosse dirigir filmes pornôs e comer lasanha todos os dias. O trio ficou no mesmo patamar e, não sendo merda o bastante, resolveu comprar mais uma garrafa de vinho.
Eu repetia a todo momento que minha mãe ia me matar, seguido de uma crise de riso e de um questionamento do porquê de estar rindo. Júlio cantava qualquer garota/ser/entidade que atravessasse seu caminho e Pedro... Bem, depois ele arranjou o que fazer. Paramos em frente à rua cujo bar era do outro lado. Pedro, O Bêbado Safo, atravessou like a boss e adentrou o boteco. Eu segurei no ombro do Júlio e falei:
- Cara, não tô a fim de morrer. Vamos no 3. 1... 2... 3... BORA!
Atravessamos a rua nos apoiando um no outro e rindo desgraçadamente. Ele entrou no bar e eu me choquei contra uma pilastra (que, aparentemente, não estava lá um segundo antes), ficando ali até que eles saíssem com a última garrafa de vinho da noite. Atravessamos a rua (agora no foda-se, se fosse para morrer, morreríamos ali mesmo) bebendo como bárbaros o vinho da garrafa. De repente, chegando ao outro lado, uma senhora nos pára:
- Meninos, isso lá é jeito de beber vinho? No gargalo? - disse a não tão distinta senhora.
- É - respondi virando mais uns cinco goles do líquido gelado e sem sabor.
A senhora fingiu não ouvir:
- Vamos ali no meu carro que eu tenho algumas taças. Vou ensinar vocês como se bebe com estilo.
Nós três rimos escaralhadamente. Uma velha queria traçar os três de uma vez, QUE ISSO AMIGOS?? Senti uma mão puxando meu braço e me levando em direção à fila do meu ônibus. Olhei para o lado e vi a Myllene me carregando, rindo absurdamente. Atrás dela, Pedro dava o braço à Bruna e pedia insistentemente para casar com ela. Chegamos à fila e ela me parou no lugar. Fiquei olhando para o chão e girando no meu próprio eixo, sem sair do lugar. Ao melhor estilo Michael Jackson quando se precipitava para frente e não caía. Pois é, amigos, eu não precisava travar os pés.
Do nada, a Myllene lembra-se de uma falta grave no plantel bebum:
- Cadê o Júlio?
Pedro, quase se engasgando em meio à risada, responde:
- Caralho, ele tá com a velha.
Amigos, eu estava fora de meus sentidos e comecei a rir como um chimpanzé tresloucado. Myllene me disse para ficar ali e saiu para buscar o Júlio. Vi o cara da frente na fila me olhar torto como se dissesse "Vai pro Inferno, hein" e todo mundo sumiu do meu lado. Logo em seguida surge o Júlio, rindo de orelha à orelha gritando para quem quisesse ouvir que "a velha quis me comer".
Implorei à Myllena que me empurrasse para fora do ônibus no momento em que chegasse, pois eu não via nada com clareza e ia ficar fodido e mal pago se não descesse em casa.
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