quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Aprendizado Hardcore

 Salamaleico, amigos leitores. Novamente venho à este recém-nascido blog para contar umas poucas e boas da minha vida um tanto quanto sofrida (-n). O assunto de hoje é o modo como minha humilde progenitora (já citada antes) lidava comigo, quando criança. Seus métodos, pouco ortodoxos, fizeram de mim o que sou (gente me zoando incoming). Vamos aos fatos.

 Minha mãe engravidou jovem (acho que com 16 anos) e, por este reles motivo, não teve paciência alguma em minha criação. A abastada moça, entrava em níveis de fúria com qualquer atitude minha. Desde fazer a popularesca pirraça até o ato de respirar (exagerar para quê?). Alguns eventos ficaram marcados pela ferocidade da senhora de engenho que me arrastava de um lado a outro pelas orelhas.

O Dia do Super Nintendo

 Bem, eu nunca fui rico e sempre amei videogames. Sempre fui o último a ganhar algum console e, quando todo mundo tinha Play Station, eu ganhei um Master System. Só duas vezes na vida me senti bem jogando aquilo. Uma foi jogando Michael Jackson - Moonwalker que era um jogo foda. E a outra foi jogando Sonic The Hedgehog que me deixava meio pilhado demais. Minhas notas caíram e minha mãe acabou proibindo o videogame. Entretanto, eu continuava com aquela sede eletrônica e tinha que jogar o melhor dos melhores.
 Meu primo Leandro, que sempre ganhava videogames legais, tinha um amigo enorme de gordo chamado Phillippe. O maldito depósito de adipócitos tinha um alto poder aquisitivo, sempre atualizando seu desgracento Super Nintendo. Minha mãe possuía uma rixa com a avó do gordinho, que era uma mulher totalmente preconceituosa (com a minha cor de nescau mal batido) e não ia com a minha carinha de aaaanjo (8). Sendo assim, me proibiu de ultrapassar o portão da casa do Nhonho que era do outro lado da rua apenas.
 Um dia, minha mãe entrou na asneira de ser Testemunha de Jeová. Nada contra os adeptos mas, os argumentos são um tanto quanto falhos e eu não sou muito fã de pessoas julgadoras. Em um domingo ensolarado eu soube que minha mãe ficaria o dia todo em casa e eu poderia armar alguma para conseguir jogar Super Nintendo (crianças de sete anos unem inveja à admiração). Fui à casa do Leandro e este me convidou a visitar o pudim de banha que tinha alugado fitas fodas para seu videogame. Meus olhos saltaram das órbitas. Disse que ia, e parti confiante de que ia dar tudo certo. Bem, vocês já sabem do quanto minha mãe é ninja.
 Algumas horas de jogatina desenfreada e muito alegre. Estava feliz por, finalmente, conseguir jogar por tanto tempo. O plano estava perfeito até que ouvi um berro. Não foi um grito, foi um berro, mais assustador do que o "Raios e trovões" do tio do Nino. Ele era repetido e assim:

- PEEDRO FELIPEEEEEEE!1112@@@@!

 Olhei para a cara do meu primo tentando encontrar abrigo e ele me lançou um olhar de "Com um pepino no ânus você estaria menos fodido". Caminhei até a porta (daquelas com vidro no meio) e olhei para o portão. Lá estava ela. Hitleriana, batendo o pé e com os braços cruzados. A expressão de fúria era tão bizarra que o rosto se afundava em um vortex. Dei tchau (foi mais um "Te vejo em outra vida") para os companheiros de vício e saí da casa. A caminhada até o portão era longa, mas fiz o favor de aumentar a distância com passos curtos. Não adiantou. Eu cheguei lá.
 Mal atravessei o portão e fui erguido pelos cabelos. Seguindo em um combo de Street Fighter, dois tapas na bunda e um daqueles tapas expectorantes que tiram catarros milenares do seu pulmão, direto nas costas. Saí "catando cavaco" e fui tomando tabefes, socos, beliscões e puxões de orelha no caminho todo até a casa. Chegando lá, ela me mandou para o banheiro. Achei que a surra tinha acabado e me salvaria com um banho, mas não... A moçoila me empurrou e eu caí no canto do banheiro. Ela se debruço sobre mim e começou a me estapear seguidamente sem parar. Socos, tapas, socos, tapas, socos, tapas... Alternando bizarramente e deixando hematomas que acabaram com o meu HP. Ela só saiu de cima de mim quando meu padrasto chegou e disse que estava na hora do ônibus e ela tinha que ir para a igreja.
 Acho que agora vocês entendem porque eu não sou fã de Testemunhas de Jeová.

Curta Sangrento

 Imagine a cena:
 Eu pequenino e feliz, com cinco anos, correndo pela casa e brincando.
 Minha mãe limpava a casa. Mais especificamente varria a sala. Projetei-me para lá correndo como um búfalo bêbado e saltei por cima do montinho de poeira que ela varria.

- Pedro Felipe (sempre assim), pára de correr em cima da sujeira.

 Fiz um afirmativo com a cabeça e continuei brincando. Na manobra seguinte, voltei correndo e passei por cima da sujeira sem querer outra vez. Rosana (este é o nome), A Delicada, agarrou-me pela camisa, parou-me na frente dela e enfiou a vassoura no meu joelho. A parte com as piaçavas e tal, penetrou na minha pele. Automaticamente, meu joelho começou a sangrar e ficou como uma peneira por um bom tempo.

Sinuca

 Um dia, ao entardecer, esqueci de voltar para casa pois conversava animadamente com alguns apreciadores da boa bebida (leia-se bêbados) que estavam no bar ali perto. Nove anos, traquinas, fui convidado a jogar sinuca por um amigo meu que estava ali. Topei na hora (eu tenho tendências a ser viciado em jogo, pqp). Fomos jogar felizes e contentes o rude esporte (?).
 Umas quinze tacadas depois, surge minha mãe. O ambiente da sala onde ficava a sinuca era um cômodo onde, na parede traseira encontrava-se uma abertura que era como um balcão. Na frente, apenas uma porta. Minha mãe surgiu exatamente na abertura traseira. AGORA AMIGOS, OBSERVEM A FRIEZA. Entrou no bar sorrindo, cumprimentou a todos e disse docemente:

- Vamos embora, Pedro (me chamou só de Pedro é trombeta apocalíptica vindo).

 Saímos do bar e, chegada certa distância, abaixou-se lentamente e retirou o tamanco do pé. Tamanco de madeira e com uns sete centímetros de espessura. Adivinhe onde o tamanco foi parar? Nas minhas costas, óbvio. Dá-lhe tamancada, puxão de cabelo, tapa na nuca/costas/cabeça até chegar em casa. Apanhei mais. Chorei. Ela me disse para engolir (manobra que mais tarde a irritaria por a minha resistência ter ficado grande demais) o choro. Meu padrasto olhou para minha cara e riu. RIU. E me chamou para jogar uma sinuquinha. Bem, o ódio era mortal, mas o que eu poderia fazer? Não era a primeira vez.

 Estes foram alguns casos, amigos. Mas, depois de um tempo, quando eu sabia que a merda era grande, apenas chegava, posicionava-me na frente dela, olhava para o chão e esperava os hits. Firmava o olhar superior e apanhava, como um bom escravo no tronco. Tomei panelada, surra com todas as plantas, tapa, soco, beliscão, chute, golpe de MMA e outras bizarrices. Estou vivo (será?) e talvez um pouco afetado. Mas ninguém nunca vai tirar de mim esse amor, esse orgulho, essa ligação única que tenho para com a minha mãe. Se me permitem, uma ligação de sangue. Literalmente.

 Beijo do magro.

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