Bem, voltando à história deste sagrado e bendito porre, parei na parte em que entrava no ônibus. Vamos ao desfecho desta epopeia alcoolizada.
Myllene garantiu que me colocaria para fora depois de eu implorar 1273681723 vezes e dizer outras 23847239487 vezes que minha mãe iria me matar e rir em seguida. Entramos no ônibus tropeçando no ar e nos jogamos nos bancos do fundo (porque será?). Pedro ficou na rodoviária, pois tinha que pegar outro ônibus.
Coloquei minha cabeça para fora da janela e comecei a gritar todos os conhecidos e desconhecidos que passavam. Destaque para um "Sthefanie, eu te amo. Casa comigo." que foi meio infeliz. Júlio me acompanhava neste couro infernal, tornando a vergonha alheia um fardo a se dividir.
Na época, Júlio morria de amores por uma menina que aqui será dominada por Marins. Jurou, no mesmo dia, esquecê-la. Bem, aparentemente, depois da uva com teor do líquido do deabo, desistiu de esquecer. Disse três mil vezes que amava a fulana. Abracei ele. Disse que ele era foda, que era meu irmão, que ela ia ficar com ele. Disse pra todo mundo que a Myllene beijava bem (isso é outra história), e passei a viagem toda tentando convencer a Bruna de que o namorado dela era uma merda e eu era o melhor que ela poderia ter (exatamente assim).
[ Na reta final da viagem, começamos um papo espiritual e Júlio disse que espíritos estariam tomando posse de mim. Tirou um terço do bolso, cravou na minha testa e começou a recitar o Pai Nosso em latim. AMIGOS????!!!! Tem noção da bizarrice? UAEHUEHAE Ele recitou a oração inteira (tropeçando nas palavras, óbvio) e, quando terminou, entregou-me o sagrado objeto.]
O parágrafo acima está entre colchetes por um simples fato. No dia seguinte, sem lembrar de nada, acordei e fui para a Educação Física na escola. Chegando lá, fui pegar meu celular no bolso e, pasmem, TINHA UM TERÇO LÁ. E a pior parte: EU NÃO FAZIA IDEIA DE COMO CHEGOU ALI! Entrei em um desespero fodido porque poderiam ter me bulinado com aquele terço ou até enfiado na minha virilha. Vai saber. Mas depois a Myllenne clareou a memória e eu me lembrei.
Enfim, do nada, Myllenne me levantou e disse que estava no meu ponto. Abracei o Júlio, dei um "tichau" bêbado às duas e saltei do veículo. Daí em diante é blackout. Na mão do palhaço inteiramente. Não faço a mínima ideia de como cheguei em casa, só lembro da porta da cozinha, minha mãe lavando louça e meu irmão passando. Me achando ninja pra caralho e muito esperto, tirei minha calça e caí de cara no travesseiro. Mas a paz seria por pouco tempo.
Meu apetite costuma ser voraz demais para deitar sem comer. Minha mãe, desconfiando de que eu estava muito doente por não jantar, veio à minha cama. Imaginei ter dormido cinco anos, quando devem ter sido uns dez minutos. A progenitora me acordou e iniciou-se o seguinte diálogo:
- Pedro, você tá bem?
- Eun, toww.
- Pedro... Pedro, você tá bêbado?
- Quen bêbedum main, cê tá maloca?
- PEDRO FELIPE, VOCÊ ESTÁ BÊBADO.
- Num tôn bêbedum.
- Bafora na minha cara.
- Nom...
- Bafora logo.
~bafora~
- Porra, Pedro Felipe, você tá bêbado. Vai pro chuveiro.
Fui eu para o chuveiro, deitei no box e fiquei olhando a água descer pelo ralo imaginando mil coisas. Depois disso voltei pra cama e fui dormir. Acordei no outro dia e fui direto para escola, passando pelo trauma descrito uns parágrafos acima. Voltei e tomei um sermão leve do estilo "ele é um bom garoto, só se desviou um pouco". Crente que seria uma vergonha, uma mancha no nome da família, mas não foi bem assim. Dias depois, eu e meu amigo Elísio conversávamos quando ele manda a pérola:
- Caralho, sua mãe é maluca! - disse Elísio, O Orelhudo.
- Disso eu sei, mas porquê, dessa vez? - questionei.
- Cara, ela foi lá em casa ontem fofocar com a minha mãe. Aí depois veio falar comigo. Me contou toda feliz que o filho dela tinha enchido a cara no dia anterior. Rindo à toa.
Agora, amigos, ficam as lições.
1 - Você nunca entenderá sua mãe ou as mulheres.
2 - Não tope tomar vinho na taça de uma velha
3 - Cuidado com os terços.
Beijo do magro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário